17 de janeiro de 2016

O primeiro abraço do ano novo

Virar o ano sempre teve algo de mágico pra mim. Claro, é só mais um dia de uma sequência ilimitada onde o sol vai nascer, atingir o topo e se pôr. Mas tem algo de mágico no 31 de dezembro. Sempre reflito sobre tudo o que passei, as dores, as delícias, as novas bagagens. Meu lado superticioso também acaba ligando o ano seguinte à energia que eu estava na virada anterior. Você pula ondas, come uvas, usa calcinhas coloridas e bebe champagne?  Eu crio teses energéticas e brindo com tequila kkkk. 

2006 por exemplo foi um ano muito complicado.  Fiquei desempregada, briguei feio com meu pai, tinha uma melhor amiga que me trocou por um macho bosta qualquer, enfrentei tudo e todos e rasguei meu diploma pra seguir uma banda alternativa "mágica" onde os integrantes, todos muito “liberais” e "sem julgamentos" (zzz), não se decidiam se me colocavam na panela do “é bonita, gostosa, deve ser puta” ou “não fuma maconha, nem topa suruba, mente fechada, careta”...  tanta confusão  e julgamento que no final de 2006 em nem sabia direito onde me encaixava  e porque as pessoas se mascaram tanto por trás de discursos que não se refletem nas atitudes...

Estava triste, decepcionada e na virada tomei um porre homérico, vomitei até a bile, saí carregada, fundo do poço total. Mas no dia seguinte pensei  “Ei, isso não é ruim... coloquei pra fora todas as energias negativas... 2007 será perfeito”. E foi! Logo no início do ano, me libertei da amiga tóxica, do emprego furado e descobri que existia amor à primeira vista, ou no caso, primeiro sorriso. E foi fulminante. Foi rápido. Foi intenso. Foi único. Em 31 de Dezembro desse ano dei  o abraço mais perfeito de todos com a certeza de que estaríamos juntos por todas as próximas viradas de nossas vidas.

Cabelão #saudades kkkk
E os anos se seguiram, sempre o mesmo primeiro abraço,  a certeza do eterno, anos repletos de conquistas, lutas,  alegrias, amor, família, conversas deliciosas e vinho no sofá de casa (o que eu mais gostava na vida), amigos, encontros, viagens, planos, era especial...  Até que na virada para 2014 algo aconteceu. Não foi nele meu primeiro abraço... e ali já senti que o ano seria difícil. Dito e feito! 

Ele queria muitas coisas aos mesmo tempo. Eu só queria estar com ele. Ele queria saber se era desejado ainda. Eu só queria que bastasse o meu desejo. Ele teve dúvidas. Eu precisava ter de volta a certeza. Ele queria o frio na barriga. Eu queria mostrar que a paz do amor tem muito mais valor do que a euforia irracional da paixão. Ele queria a liberdade adolescente. Eu esperava dele o porto seguro da maturidade. Ele evitou o que sentia por mim. E disse que o eterno não o fazia mais feliz. E de todas as formas eu dei meu amor e tentei mostrar que o  que tínhamos era especial e felicidade era apenas uma questão de escolha. 

Em uma data especial neste ano reunimos a família e mais uma vez ele prometeu o eterno, declarou a força de um amor que supera tudo e ali no meio de um turbilhão de dúvidas e sem entender nada da atitude dele pensei “sou louca, vai ver ele não foi o primeiro abraço de 2014 para que renovássemos agora a nossa certeza”. Mas palavras se perdem no vento na velocidade de um suspiro. Ele passou a querer o mundo. E eu desisti. Minha intensidade nunca preencheria as dúvidas e o vazio dele. Ele queria o raso, o superficial, a incerteza, a descoberta. E decidimos pelo Adeus! Em plena véspera de ano novo. Enquanto eu chorava ele já fazia planos com outro amor, como se tudo o que tivesse vivido fosse uma perda de tempo  e ele tivesse pressa em viver muitos frios na barriga. Virei o ano sem abraço nenhum, sem planos, sem vontade de nada. E aí já sabia que 2015 seria difícil. Do começo ao fim.

Longe de mim ele já não era o mesmo. Um completo estranho. E eu pra ele virei uma burocracia, que simplesmente precisava ser "resolvida".  Tanta loucura e sofrimento que não consegui controlar, acordou minhas células mutantes e aí você já sabe a história... Não pude nem viver o ciclo do luto do coração partido. Já tive que partir pra maior das batalhas: sobreviver. E nessas horas fica tudo tão pequeno.  As brigas, mágoas, tristezas, tudo ficou pra trás. Dentro de mim só tinha forças pra pensar que não era possível minha vida acabar assim. Fui devorando os dias, usando cada gota de força pra acabar logo com isso e eu ter a chance de retomar meus planos de vida pacata e em paz. 

No dia 31 de dezembro de 2015 eu estava cercada de amor e emocionada. Por ter sobrevivido, por não surtar, por manter a dignidade, por ter esperança, por confiar que tudo o que passei de ruim se converterá no dobro de coisas boas.  

Dei o primeiro abraço em mim mesma, esse sim o único amor que me garante a certeza do eterno. E minha interpretação é que em 2016 farei as pazes com o amor próprio, o câncer vai sumir como num passe de mágicas, vou juntar os cacos de coração e renascer. O aprendizado que fica é que não importa como e com quem você vira o ano, são as atitudes e os sentimentos que carrega ao longo dele...


Que em 2016 você VIVA o que vc fala ( ou diante da nova realidade posta kkk).
Que enxergue o outro.
Que enxergue a si e busque diariamente se tornar uma pessoa melhor.
Seja honesto, seja humano.
Realize sem atropelar ninguém.
Seja grato.
Escolha ser feliz.
Escolha aprender com amor.
E se a dor vier, lute!
Respeite!
Guarde só o que for bom!
Pague ódio com amor. Porque o ódio volta o Amor volta tbm!!!
Ame-se!
E no final do ano dê o primeiro abraço em vc e diga “nosso ano foi incrível, imagina quanta coisa boa vem por aí”...

Feliz 2016!




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